O crescimento das cidades nem sempre precisa significar a ocupação de novas áreas. Em regiões já consolidadas, o retrofit – processo de modernização de edificações existentes para adequá-las a padrões atuais de uso, conforto e segurança – vem ganhando espaço no mercado imobiliário. A estratégia permite atualizar imóveis e inseri-los na dinâmica urbana sem necessariamente partir de uma nova construção.
Em Brasília, uma construtora utiliza essa estratégia na 502 Sul, onde adapta um edifício para receber unidades residenciais de 1 e 2 quartos, com 30 m² e 48 m², respectivamente. Os imóveis serão destinados à locação e representam uma alternativa de moradia em uma região tradicional da capital, com ampla oferta de comércio, serviços, transporte e equipamentos urbanos.
O movimento reflete mudanças no comportamento da população e no perfil dos centros urbanos. A maior procura por imóveis compactos, a valorização da proximidade entre moradia, trabalho e serviços e a transformação de antigas áreas comerciais têm levado o setor a buscar novas possibilidades em edifícios que já fazem parte da paisagem das cidades.
De olho nesse nicho de mercado, para Paulo Muniz, diretor da Conbral, “o retrofit nos permite enxergar novas possibilidades para imóveis que já estão prontos. No caso da 502 Sul, estamos transformando uma edificação existente para atender a uma demanda atual por moradias mais compactas e bem localizadas. É uma forma de acompanhar a evolução dos hábitos e das necessidades das pessoas sem perder de vista o potencial das áreas que já têm uma estrutura urbana consolidada”, afirmou.
Mudança no perfil de ocupação
A tendência também está relacionada à necessidade de repensar o uso de regiões centrais. Em grandes cidades brasileiras, edifícios originalmente projetados para atividades comerciais vêm sendo avaliados para usos residenciais diante das mudanças provocadas pela expansão do trabalho híbrido e pela redução da demanda por determinados formatos de escritórios.
A transformação acompanha uma mudança na relação dos moradores com a cidade. Para parte do público, estar próximo de transporte, comércio, restaurantes, serviços e equipamentos de saúde e educação pode ser mais relevante do que dispor de grandes áreas privativas. Esse cenário favorece imóveis compactos inseridos em bairros que já oferecem estrutura urbana completa.
Construir sobre o que já existe
Além dos aspectos econômicos e urbanísticos, o retrofit ganha relevância diante da busca por soluções mais sustentáveis na construção civil. Trabalhar sobre uma estrutura existente pode reduzir a necessidade de demolição e, consequentemente, o volume de resíduos gerados por uma obra. A modernização também permite atualizar instalações e incorporar soluções mais eficientes à edificação.
“Ao requalificar uma construção existente, também estamos evitando que a solução seja sempre ocupar uma área nova. É uma maneira de pensar o desenvolvimento imobiliário a partir do que já foi construído”, completou Paulo Muniz.



