A academia do condomínio, por muito tempo tratada como espaço secundário – às vezes com poucos equipamentos e manutenção irregular -, começa a ser explorada a partir de outro status em empreendimentos de alto padrão. O novo modelo do espaço fitness, em vez de apenas cumprir tabela na área de lazer, passa a ser pensado como serviço contínuo, com projeto profissional, equipamentos adequados e acompanhamento técnico que se estende por anos após a entrega das chaves.

A proposta chega ao litoral norte de Santa Catarina, nos projetos dos condomínios Brava Green Home Club, em Itajaí, e Baker’s Bay Residence, em Porto Belo. Na prática, o morador deixa de receber apenas uma sala com aparelhos e passa a contar com uma operação fitness completa dentro do prédio – incluindo manutenção preventiva, suporte técnico e equipe de instrutores por cinco anos.

O que muda no dia a dia do morador

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Para quem vive em condomínio, a diferença aparece na rotina. Uma academia bem estruturada dentro do prédio reduz a necessidade de deslocamento, evita o impacto do trânsito e facilita encaixar a atividade física antes ou depois do trabalho. Também diminui a dependência de academias externas e o custo mensal associado a elas.

O ganho, porém, não é só de conveniência. Um espaço para as atividades físicas bem planejado e mantido tende a ser mais utilizado, conservado por mais tempo e valorizado como área comum – o que interessa diretamente a síndicos, conselhos e administradoras, responsáveis por zelar pelo patrimônio coletivo.

Wellness pesa na escolha do empreendimento

O movimento acompanha uma mudança no comportamento do consumidor. Pesquisa da Brain Inteligência Estratégica mostra que 78% dos consumidores consideram que atributos ligados ao bem-estar (wellness) influenciam positivamente a decisão de compra do imóvel, e a academia já é vista como item obrigatório para consumidores que optam por empreendimentos de médio e alto padrão.

Os números de prática de atividade física também explicam essa pressão. No Brasil, o índice passou de 37% em 2023 para 56% em 2026, um crescimento de 51% em três anos. Mais gente treinando significa mais exigência por estrutura adequada, orientação e serviços que vão além do treino convencional.

Do projeto dos condomínios ao pós-entrega

Nos dois empreendimentos, o modelo prevê que o espaço fitness seja concebido junto com o projeto arquitetônico, com layout pensado para o perfil dos moradores, aquisição de equipamentos e acompanhamento da implantação. Depois da entrega, a operação segue com manutenção, suporte e instrutores.

No Brava Green Home Club, na Praia Brava, em Itajaí, o empreendimento tem Valor Geral de venda (VGV) de R$ 150 milhões, mais de 22 mil m² de área construída, 32 pavimentos e cerca de 2 mil m² de lazer, com rooftop, piscinas, spa e quadra de beach tennis.

Já o Baker’s Bay Residence, em Porto Belo, reúne 31 pavimentos e mais de 1,2 mil m² de lazer, com piscina climatizada, spa, sauna, wine bar, local para cross training. O VGV do prédio é de R$ 200 milhões.

O que observar antes de comprar ou aprovar

Para moradores e gestores, o modelo levanta uma questão prática, por exemplo, quem assume o quê depois da entrega? A definição clara de responsabilidades – manutenção, reposição de equipamentos, contratação de instrutores e custeio – é o que separa uma academia que funciona de um espaço que se degrada em poucos anos.

Especialistas ouvidos pelo setor apontam que a academia se tornou um dos ambientes mais sensíveis do condomínio, pois é muito usada, exige manutenção constante e, sem gestão adequada, tende a perder qualidade rapidamente. Nesse contexto, modelos que preveem acompanhamento técnico prolongado tendem a reduzir o desgaste do patrimônio e a insatisfação dos moradores.