Por anos, a ideia de condomínio (residencial ou corporativo) inteligente esteve ligada quase exclusivamente à infraestrutura relacionada a sensores, controle de acesso, climatização e eficiência energética. A expectativa para o ano que vem é de que, com a digitalização, avance o conjunto de serviços e suporte (facility) contratado também sobre a operação cotidiana dos edifícios na gestão de demandas para o recebimento de encomendas e ao atendimento aos moradores.
O movimento ganha força à medida que a operação do edifício se torna mais complexa e os gestores buscam aumentar a produtividade das equipes sem ampliar estruturas. A transformação acompanha a digitalização vista no ambiente empresarial brasileiro, monitorada anualmente pela Pesquisa TIC Empresas, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).
Crescimento do e-commerce e reflexo nos edifícios
Ao mesmo tempo em que os processos se digitalizam, uma atividade essencialmente física aumenta nos condomínios: a circulação de encomendas. Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil (serviço de Proteção ao Crédito) mostram que 85% dos consumidores digitais residentes nas capitais fizeram pelo menos uma compra online nos 12 meses anteriores à pesquisa, em um mercado estimado em 139 milhões de compradores.
Esse avanço repercute diretamente em condomínios residenciais e corporativos, que precisam absorver o recebimento, a identificação, o armazenamento, a comunicação e a retirada dos volumes.
De acordo com dados divulgados pela Pitney Bowes, empresa que atua em logística, em apenas 60 dias, mais de 18,8 mil protocolos de encomendas foram processados em condomínios no Brasil, com redução média de 40% no tempo dedicado a essas tarefas. No mesmo período, a operação envolveu cerca de 2 mil portas de ‘armários inteligentes’ (smart lockers), mais de 65 empresas e aproximadamente mil apartamentos.
A executiva chefe da área de Serviços Inteligentes da empresa, Thais Mendes, afirmou que “quando um documento ou uma encomenda some, assumimos não somente o risco financeiro, mas o valor agregado ou sentimental daquele objeto. É preciso contar com parceiros certos para implantar tecnologia e processos”. No Brasil, a companhia oferece aos condomínios serviços de logística e intralogística, incluindo esteiras, sistemas de triagem, equipamentos de pesagem e cubagem, além de tecnologias para mensageria, expedição e inteligência operacional.



