Quem mora em apartamento não estranha comodidades modernas como academia, espaço de coworking e áreas de lazer. Mas tem uma novidade que vem ganhando espaço nos projetos e na reforma dos prédios: a infraestrutura exclusiva para receber e armazenar encomendas.

Não é para menos. A onda de compras via e-commerce transformou a portaria do seu prédio em um ponto crítico da logística. Dados recentes do setor mostram que o comércio eletrônico brasileiro disparou, com centenas de milhões de pedidos sendo entregues nas residências dos consumidores. O resultado? Um fluxo diário de caixas, sacolas e entregadores que muitos condomínios não estavam preparados para receber.

O drama da portaria

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Na prática, o que vemos são porteiros e zeladores sobrecarregados, tendo que anotar entregas em cadernos, ligar para moradores, procurar pacotes perdidos em meio a pilhas de caixas e ainda lidar com o risco de extravios ou trocas. Esse improviso gera estresse para a equipe e dor de cabeça para o morador, que muitas vezes tem sua encomenda extraviada ou demora para encontrá-la.

“O prédio virou a última milha da entrega. Por isso, a gestão de encomendas precisa ser tratada com a seriedade de uma infraestrutura essencial, com espaço e tecnologia adequados”, afirmou Thais Mendes, líder de Serviços em Gestão de Encomendas da Pitney Bowes. O objetivo, segundo a executiva, é organizar o fluxo, dar mais segurança e melhorar a vida de quem mora e de quem trabalha no condomínio.

Armários considerados inteligentes e salas organizadas

Com apoio da tecnologia, armários são considerados “inteligentes” (ou smart lockers). O funcionamento é simples, o entregador deposita o pacote em um compartimento seguro, o morador recebe uma notificação no celular e faz a retirada com um código ou autenticação digital, sem precisar depender da portaria.

Mas, para atender o objetivo proposto pela empresa, a transformação vai além da instalação de um equipamento. É preciso planejamento. Antes de comprar um armário ou reformar uma sala, síndicos e administradoras precisam avaliar a rotina na demanda de encomenda do condomínio:

Qual é o volume real?

Mapeie por 30 dias a quantidade de pacotes que chegam, os horários de pico e os tamanhos das caixas.

Onde estão os gargalos?

Veja onde a portaria está perdendo tempo e quais são as reclamações mais comuns dos moradores.

Qual a melhor solução? Uma sala de encomendas organizada, um armário inteligente ou uma combinação dos dois?

Quem faz o quê? Defina regras claras para recebimento, prazos de retirada, responsabilidades da portaria e da administradora, e como lidar com itens grandes ou sensíveis (como alimentos e medicamentos).

Antes do síndico tomar a decisão, ele deve realizar um projeto-piloto, monitorando os resultados e ajustando a comunicação e treinando a equipe.

Na avaliação da executiva, para as incorporadoras, ter essa infraestrutura já é um grande diferencial na venda do imóvel. Para síndicos e gestores, é um passo fundamental para garantir a eficiência operacional, a segurança e a satisfação dos moradores. “A pergunta não é mais se o seu condomínio vai precisar se adaptar, mas sim como ele vai fazer isso de forma organizada e com a tecnologia certa”, concluiu Thais Mendes.