Na visão de Patricia, a escolha das obras de arte começa muito antes da visita a uma galeria. “O desenvolvimento de um projeto de arquitetura de interiores também considera a seleção e sugestão das obras de arte”, afirma. Esse processo integrado garante que a peça converse em harmonia com os revestimentos, a marcenaria e o mobiliário, em vez de ser um elemento solto no décor.

Três Pilares para a Seleção: Estilo, Morador e Investimento

A Sintonia com o Décor e a Arquitetura: A obra deve se integrar ao projeto, seja estabelecendo um diálogo de cores, contrastes ou estilos. Como visto em um projeto da arquiteta para um loft na Mostra Artefacto, a obra do artista Solferini foi escolhida para “aquecer” um painel de marcenaria laqueado, criando um ponto focal e harmônico .

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A Alma do Morador: A curadoria não é sobre impor um estilo, mas sobre descobrir a essência de quem vai habitar o espaço. Patricia explica que é essencial considerar o gosto pessoal, o encantamento que a peça exerce e até o acervo pessoal do morador, que “agrega ainda mais personalidade ao resultado que almejamos”.

O Valor e a Exclusividade: Além do apelo estético, a arquiteta considera a obra como um investimento. A valorização ao longo do tempo e o senso de exclusividade são fatores que corroboram a aquisição de uma peça de arte

A Arte de Distribuir e Exibir

Para a distribuição, a criatividade é o limite, mas alguns princípios ajudam a compor um espaço equilibrado. “As obras podem se relacionar por meio de linguagens e estilos… ou por uma linha do tempo, entregando um contexto histórico”, detalha Patricia. Em seus projetos, é comum ver desde uma parede com uma “gallery wall” até uma longa prateleira metálica exibindo as peças preferidas dos moradores.

Um cuidado especial vai para a iluminação. Para uma apreciação perfeita e sem danos, a arquiteta recomenda o uso de spots como o “Olho de Moscou”. “São pequenos refletores com lentes especiais para focar, milimetricamente, a obra… oferecendo proteção UV que impede o desbotamento ou danos”, explica.

A especialista acredita que a arte não entra de forma isolada. Ela precisa dialogar com todos os elementos do décor. Em um de seus projetos, a escolha de um sofá de linho com formas orgânicas, por exemplo, serviu de pano de fundo perfeito para uma curadoria de arte que incluía peças de artistas como Candido Portinari e Amílcar de Castro, em um ambiente que reflete sofisticação e atemporalidade

Selecionar uma obra de arte para o lar vai muito além de escolher um quadro bonito. É um processo de curadoria que exige sensibilidade para entender o espaço, a história de quem vive ali e a mensagem que a arte deve transmitir. Ao seguir essas diretrizes, qualquer projeto de interiores se transforma em uma verdadeira galeria pessoal, repleta de significado e beleza.

Sobre Patricia Penna

No mercado há mais de 25 anos, a arquiteta Patricia Penna é destaque de mostra de decoração no Brasil e no exterior. Com a equipe multidisciplinar que faz parte do escritório Patricia Penna Arquitetura & Design, assina projetos de arquitetura e design de interiores nas áreas residenciais, corporativos e institucionais.